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PATOLOGIAS MAIS FREQUENTES ENCONTRADAS EM COBERTURAS COM TELHAS CERÂMICAS

 

Os problemas mais frequentemente encontrados nas coberturas dos telhados são as INFILTRAÇÕES e DESCASQUE DE TELHAS. Estes problemas devem-se, na sua maioria, não a defeito de fabrico mas sim a erros de execução, aquando da montagem dos telhados, que mais tarde podem originar estes fenómenos.

Entre os erros de execução mais comuns que originam os dois problemas já referidos, temos:

 

INCLINAÇÃO INSUFICIENTE
A inclinação de uma cobertura em telha cerâmica pode ser suficiente ou não, dependendo do comprimento da pendente em causa. De facto, devemos ter em consideração que, quando chove mais intensamente, o caudal de água que corre nas telhas mais próximas do beiral é muito superior ao caudal de água que corre nas telhas mais próximas da linha de cumeeira. É que as primeiras vão receber toda a água que cai nas restantes e, naturalmente, quanto maior for a pendente, maior o volume de água que irá correr. Em todo o caso, para inclinações abaixo do recomendado, seria sempre recomendável a utilização de uma tela do tipo sub-telha (uma espécie de cartão prensado de alta densidade com ondulações) que pode receber eventuais infiltrações por água tocada a vento que galgue os encaixes da telha, conduzindo essa água para escoamentos previstos para esse efeito.

Note-se que a inclinação também facilita o arejamento interior da face da telha. De facto, o ar que circula no interior da cobertura, junto à telha, movimenta-se de acordo com o principio da tiragem térmica, isto é, o ar admitido numa zona mais baixa do telhado (junto ao beiral) vindo do exterior frio, ao aquecer (por acção do calor produzido no interior da habitação ou pelo calor que a telha armazena) torna-se mais leve e vai subindo ao longo da pendente, saindo por uma abertura mais próxima da cumeeira. A velocidade do vento é importante para facilitar este processo e, a inclinação da cobertura facilita a velocidade de circulação do vento.

Por outro lado, é importante saber-se que, em condições climatéricas desfavoráveis, podem ocorrer pressões atmosféricas significativas numa cobertura (por acção do vento mais intenso) que geram depressões nas pendentes opostas. Estas pressões e depressões podem facilitar a aspiração das águas em escoamento sobre o telhado, originando infiltrações. A correcta inclinação de um telhado reduz este risco;

 

MATERIAIS DE ISOLAMENTO APLICADOS SEM SE PREVER CAIXA-DE-AR ENTRE ESTES E A TELHA
O isolamento térmico (do tipo Roofmate por exemplo) é sempre uma boa opção para estancar eventuais transferências térmicas entre o interior e o exterior da habitação. No entanto a sua aplicação não deve carecer de alguns cuidados, de modo a evitar a inadequada ventilação da face inferior da telha bem como o surgimento de condensações na placa.

Quando se realiza uma obra, até ao momento em que está para receber o isolamento da cobertura, nomeadamente as telhas, toda a obra já recebeu bastante humidade das chuvas. Tudo o que é lajes, placas, paredes, etc, recebe água que é necessário expulsar (normalmente ocorre por evaporação natural). Quando é aplicada a telha, toda a humidade que é evaporada para a atmosfera exterior, é “travada” pela telha. Tendo a telha uma capacidade termo higrométrica inferior ao cimento e argamassas usados nas referidas placas, lajes e paredes, a evaporação da humidade vai dar-se de forma muito mais lenta. Quer isto dizer que a telha vai absorver a humidade da casa de forma muito mais rápida do que a velocidade com que a consegue expulsar para a atmosfera exterior (por evaporação). A condensação na face inferior da telha surge quando esta atinge o ponto de saturação, ou seja, já não consegue absorver mais humidade da atmosfera interior da habitação porque a velocidade com que a expulsa para o exterior é muito inferior. É aqui que se revela uma das funcionalidades das telhas de ventilação. Uma adequada ventilação da face inferior da telha, vai possibilitar que este fenómeno não ocorra, pois incrementa consideravelmente a renovação de ar por baixo da telha. A adequada ventilação deve prever uma caixa-de-ar de cerca de 5 cm de altura, complementada com uma correcta distribuição de telhas de ventilação. Para que claramente se compreenda o efeito que estes dois itens (caixa-de-ar e telhas de ventilação) provocam na ventilação da telha, imagine-se um lençol de cama molhado a secar dentro de casa e outro, também molhado, a secar fora de casa! Havendo circulação de ar nos dois locais, fora de casa existe uma renovação de ar muito superior. Em qual dos locais o lençol seca mais rapidamente?
Pensamos que com esta explicação ficou claro que é uma má opção encostar a telha directamente às estrias previstas no roofmate (erro frequentemente encontrado). A razão porque existem as estrias (ou ranhuras, como refere) no roofmate, deve-se à necessidade de se aplicar uma “tira”de argamassa ao longo do roofmate que vai servir de ripa de apoio para fixação da telha. Esta tira deve ter 5 cms de altura (consultar mais detalhes de aplicação no ponto 5 – Ventilação Adequada , de Indicações para Aplicação de Telhas Cerâmicas) .

 

APLICAÇÃO SE ROOFMATE DIRECTAMENTE NA PLACA, SEM SE DEIXAR QUE ESTA SEQUE PRIMEIRO
Quando se aplica o roofmate directamente na placa, a nossa experiência diz-nos que, frequentemente a humidade da habitação é estancada entre a placa e o roofmate, ou seja, o roofmate não deixa a humidade passar para a telha de modo a que esta a expulse naturalmente para o exterior. Quando isto acontece, dá-se uma sucessão de ciclos de evaporação / condensação em que essa humidade demora imenso tempo a ser expulsa. O que se passa no fundo é isto: a humidade contida nas placas/lajes/paredes interiores evapora-se, é absorvida pela placa de cobertura, e esta por sua vez vai expulsa-la para o que estiver acima dela. Se esta humidade (sob a forma de evaporação) encontra uma superfície estanque, sem capacidade de absorção (como é o caso do roofmate), transforma-se em condensação (passa ao estado líquido), sendo reabsorvida pela placa. Este ciclo dá-se um número infindável de vezes até que a humidade encontre forma de passar para o exterior da habitação. A acumulação desta humidade em estado líquido, na placa de cobertura, provoca com o tempo, o surgimento de diversos sinais indesejáveis (manchas negras, descasque de tinta, bolor, etc), frequentemente confundidos com infiltrações de água da chuva.

 

EXCESSO DE ARGAMASSA APLICADA NAS CUMEEIRAS E RINCÕES
Deverá atentar-se no cuidado a ter aquando da execução de pontos singulares como o remate de cumeeiras e rincões. É absolutamente aconselhável a utilização de peças previstas para reduzir a quantidade de argamassa necessária para fixar as peças de cumeeira, nomeadamente o uso de Remates. Não se trata de um capricho o facto de dispormos deste acessório. A verdade é que, sendo a argamassa um corpo que absorve muita humidade (muito mais do que a telha), vai transmiti-la a todas as peças porosas que esteja em contacto directo com ela (telhas, telhões, remates, etc). Se a argamassa, usada no interior do telhão de cumeeira, estiver em contacto directo com a placa de cobertura, está assegurada uma passagem de humidade da cumeeira para o interior da habitação (com todas as consequências que se podem adivinhar. Por outro lado, a argamassa tem um comportamento dinâmico (quando sujeito a grandes amplitudes térmicas) muito superior às peças cerâmicas (quer isto dizer que contraem e dilatam de forma mais brusca do que os corpos cerâmicos), podendo originar fracturas, fissuras, etc, nas telhas e acessórios a ela fixadas, originando potenciais pontos de infiltração de humidade.

A forma como se usa esta argamassa está explicada no menu Conselhos de Aplicação ( argamassa para fixação de pontos singulares , e, execução de cumeeiras e rincões ), do nosso site. Para fixar o Remate à telha onde aquele irá assentar, deve-se usar só um pouco de argamassa sobre a respectiva telha de modo a que o Remate fique colado a esta e isolado nas suas extremidades laterais (prevenindo eventuais recuos deágua pelas partes laterais do Remate). Esta argamassa nunca deve ficar em contacto com a placa de cobertura. Posteriormente a este trabalho, deve-se então aplicar uma tira de argamassa de cada lado da cumeeira (servindo o conjunto Telha / Remate, de “cama” para a aplicação dessa tira). O Telhão deve assentar sobre estas duas tiras (uma de cada lado), deixando-o livre no seu interior.

 

NÃO SE USA REMATES NAS CUMEEIRAS PORQUE FICA MAIS CARO
Reconhecemos que, infelizmente, é comum (especialmente no Norte do País) não usar Remates, por se pensar que o telhado fica muito mais caro. Esta ideia é errada se tivermos em conta o custo de mão-de-obra necessário para se executar o trabalho com um acabamento perfeito, dispensando o uso de Remates, já para não referir a enorme quantidade de argamassa que se terá de usar e o seu respectivo custo. É também verdade que a maior parte dos problemas de infiltração de humidades, se devem ao excesso de argamassa usada nas cumeeiras, normalmente sem Remates, embora já tenhamos encontrado situações em que apesar de estar prevista a utilização destas peças, não se dispensou quantidades “industriais” de argamassa, aplicada incorrectamente.

 

APLICAÇÃO LÍQUIDOS IMPERMEABILIZANTES SOBRE AS TELHAS
Sobre a aplicação de líquidos impermeabilizantes, tecnicamente designados por hidrofugantes, não desaconselhamos, se bem que tem vantagens, desvantagens e alguns cuidados a prever :

 

1ª VANTAGEM (E ÚNICA): prolonga o aspecto novo do telhado durante mais tempo do que se não tivesse o líquido aplicado, ou seja, líquens, verdetes, fungos e musgos, demoram mais tempo a aparecer. Note-se que em locais especialmente húmidos e com muita vegetação alta nas proximidades, não há milagres, pelo que, nas pendentes mais sombrias rapidamente proliferam estes organismos (quer se use hidrofugantes ou não);

 

1ª DESVANTAGEM: O efeito deste produto é de curta duração, porque estando a telha sujeita aos raios UV e intempéries, o produto aplicado vai perdendo qualidades até deixar de actuar. Os hidrofugantes de base aquosa costumam durar seis meses a um ano, raramente mais de dois anos (baseamo-nos na nossa experiência). Os hidrofugantes de base solvente são mais duráveis (mas também bastante mais caros);

 

2ª DESVANTAGEM: Por muito que se diga que o produto é inócuo, a verdade é que reduz consideravelmente a capacidade da telha “respirar”. Quer isto dizer que, sendo a telha normal capaz de absorver humidades e expulsá-las para o exterior da habitação, esta capacidade é consideravelmente diminuída com a aplicação do produto em causa. De facto, após aplicado, o produto vai reduzir a capacidade de absorção de água na superfície exterior da telha (porque cristaliza dentro dos poros da telha, reduzindo a dimensão livre destes poros). No entanto, quer a telha esteja totalmente hidrofugada (por imersão) ou parcialmente hidrofugada (por aplicação directa na sua superfície exterior), continuará a existir uma pequena absorção de água (por exemplo, a telha Margon do modelo Lusa Plus-S, no seu estado natural, tem uma capacidade de absorção de cerca de 7%, mas ao hidrofuga-la por imersão, com um hidrofugante de base aquosa com uma percentagem de diluição de 3%, a sua capacidade de absorção desce para cerca de 2,5%, de acordo com os últimos ensaios realizados, tendo sido usada água á temperatura ambiente). Em resultado disso, a pouca humidade que a telha absorve, vai sofrer acrescidas dificuldades em ser expulsa para o exterior, porque agora vai ter que atravessar uma película da telha onde os poros são de muito menor dimensão. Nestas condições, caso o telhado esteja numa região onde seja frequente a ocorrência de geadas, a probabilidade do corpo da telha se danificar é consideravelmente acrescida. Os danos no corpo da telha devido a geadas identificam-se facilmente pois começam a surgir lamelas na superfície da telha que acabam por se soltar. Este fenómeno é conhecido por “descasque” da telha. A ocorrência do “descasque” pode ser explicada do seguinte modo: A água, na passagem do seu estado liquido para o estado sólido, sofre um aumento do seu volume em cerca de 9%. Se a telha tiver os seus poros todos preenchidos por água (ponto de saturação), ao sujeitar-se a temperaturas propícias à formação de geada sobre o seu corpo, a água que está contida nos seus poros vai congelar, e expandir de volume. Se esta expansão não encontrar espaço dentro dos poros para se acomodar, irá forçar a estrutura interna do corpo cerâmico, obrigando-o a expandir-se. Tendo o corpo cerâmico uma resistência limitada, podem começar a surgir micro fissuras internas que, com o tempo, provocarão a desagregação da peça. O risco de este fenómeno ocorrer será tanto maior quanto maior o número de ciclos de gelo/degelo a que a telha estará sujeita. A importância de uma boa ventilação da cobertura é também aqui bem evidente pois quanto mais depressa a telha secar mais se reforça a sua capacidade de resistência ao gelo;

 

CUIDADOS A PREVER: Como uma telha hidrofugada tem um processo de secagem mais lento, é fundamental dotar a cobertura de uma boa caixa-de-ar, uma dispersão de telhas de ventilação adequada e, imprescindível, adquirir um hidrofugante adequado para argamassas, aplicando-o em todos os pontos de argamassa das cumeeiras e rincões.